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23/01/2017

O futuro Museu Aristides de Sousa Mendes






O cônsul de Portugal em Bordéus pôs a salvo 30 mil pessoas que fugiam à II Guerra Mundial e ao holocausto, passando vistos para a sua saída do país, contra as ordens de Salazar.
 Muitos destes refugiados estiveram albergados na sua casa em Cabanas de Viriato, a 30 quilómetros de Viseu. Na Casa do Passal  encontraram hospitalidade e aí aguardaram a partida para outros países. Nesse espaço viveu o cônsul de Bordéus até ao final da sua vida, repousando no cemitério local. 
Durante anos o edifício esteve abandonado.


Em 2000 foi criada a Fundação Aristides de Sousa Mendes e, com os primeiros fundos, em 2001, a casa foi adquirida com o apoio financeiro do Ministério dos Negócios Estrangeiros a fim de ser recuperada e reclassificada como Casa-Museu. 
A criação da Fundação foi essencial para representar a sua memória. 

Uma década mais tarde, o edifício foi classificado como Monumento Nacional pela importância reconhecida ao espaço, por causa da história do homem que ali habitou e não tanto pela sua relevância arquitetónica.


Em abril  de 2014, um movimento de cidadãos realizou um cordão humano para "salvar da ruína" a Casa do Passal. Uma iniciativa que surgiu para "acordar consciências" recordando que "a Casa do Passal continua a desmoronar-se com o tempo".


A Casa do Passal foi então alvo da primeira fase de obras, que visaram a sustentabilidade da estrutura e do telhado, concluídas em 2015.

Até 2018 prevê-se que seja feita a recuperação do seu interior e a sua musealização.
Depois de reabilitada, a casa irá conter o espólio do cônsul que a Fundação tem estado a recolher e irá dar uma particular atenção à questão dos direitos humanos e à história das perseguições durante a II Guerra Mundial.

Fontes: 
http://sol.sapo.pt/artigo/102761/cordao-humano-para-salvar-a-casa-de-aristides-de-sousa-mendes
http://aristidesdesousamendesea.blogspot.pt/2007_05_06_archive.htmlhttps://www.publico.pt/2014/04/03/sociedade/noticia/aristides-de-sousa-mendes-60-anos-depois-1630736
http://www.asbeiras.pt/2015/12/casa-de-aristides-sousa-mendes-em-cabanas-de-viriato-conquista-reconhecimento-internacional/
http://ensina.rtp.pt/artigo/a-casa-de-aristides-de-sousa-mendes/
Fotos retiradas do Google


19/01/2017

Personalidade em Destaque





            Aristides de Sousa Mendes

" À medida que crescia na Europa o Nazismo, crescia também o número de refugiados, sobretudo judeus. Muitos deles escolheram Bordéus, então sob o governo de Vichy, como destino temporário. Aí, Sousa Mendes, contrariando instruções formais recebidas, concedeu milhares de vistos – julga-se que cerca de 30 000 - a judeus que procuravam escapar ao extermínio nazi."

                             





"Diplomata e político português, filho de Maria Angelina Ribeiro de Abranches e do juiz José de Sousa Mendes, nasceu a 19 de julho de 1885, em Cabanas de Viriato, concelho de Carregal do Sal, no distrito de Viseu. 

Cursou Direito na Universidade de Coimbra e, tal como o seu irmão gémeo César, após a licenciatura, em 1907, acabou por seguir a carreira diplomática. 


Em 1910, foi nomeado cônsul de 2.a classe na Guiana Britânica, passando depois a exercer funções em Zanzibar, onde ganhou muito prestígio.

Aqui, juntamente com Angelina de Sousa Mendes, sua esposa e mãe dos seus 14 filhos, sofreu alguns reveses de saúde, agravados sobretudo pelo clima paludial daquela zona africana. Tendo solicitado várias vezes a sua transferência acabaria por ver atendidos os seus desejos em fevereiro de 1918, altura em que foi nomeado para desempenhar o mesmo cargo em Curitiba, no Brasil. 

Ainda nesse ano, em plena ditadura de Sidónio Pais, foi promovido a cônsul de 1.a classe. Porém, devido às suas convicções monárquicas e antirrepublicanas, veria, em 1919, as suas funções serem suspensas – um despacho ministerial colocava-o no estado de disponibilidade, situação que geralmente significava inação ou, eventualmente, a atribuição de um serviço irregular que implicava sempre uma perda considerável do vencimento. Em meados de 1921 foi convidado a dirigir temporariamente o consulado em S. Francisco, na Califórnia. Os dois anos aqui passados terão contribuído, devido ao elevado custo de vida americano e simultaneamente à redução salarial a que tinha sido sujeito, para o estado precário da sua situação financeira.

Foi solicitado mais do que uma vez para voltar ao Brasil até que, em 1926, uma portaria obrigou-o a regressar a Lisboa para prestar serviço na Direção-Geral dos Negócios Comerciais e Consulares. Com o golpe de Estado de 28 de maio de 1926, Sousa Mendes foi nomeado cônsul em Vigo. Apoiando e servindo desde o seu início o regime ditatorial, recebeu várias vezes louvores de Salazar.

 Todavia, com o afastamento do irmão do cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros, Sousa Mendes ficou revoltado com o governo, não entendendo a "duplicidade, a deslealdade e a intriga que caracterizavam o funcionamento interno do Palácio das Necessidades"

 De 1931 a 1938 foi cônsul em Antuérpia, sendo então transferido, mal-grado seu, para Bordéus. No entanto, foi devido a esta transferência que Aristides de Sousa Mendes viria a desempenhar o papel público mais importante da sua vida.


À medida que crescia na Europa o Nazismo, crescia também o número de refugiados, sobretudo judeus. Muitos deles escolheram Bordéus, então sob o governo de Vichy, como destino temporário. Aí, Sousa Mendes, contrariando instruções formais recebidas, concedeu milhares de vistos – julga-se que cerca de 30 000 - a judeus que procuravam escapar ao extermínio nazi.

 Chegou mesmo a albergar refugiados na sua casa em Bordéus e na sua residência de Cabanas de Viriato. Estas atitudes desagradaram muito a Salazar, que o destituiu em 1940. Sousa Mendes ainda apelou para o Supremo Tribunal Administrativo e para a Assembleia Nacional, mas de nada lhe valeu.

Em Bordéus, porém, foi-lhe erguida, em 1994, uma estátua.

 Morreu em abril de 1954, no Hospital da Ordem Terceira, em Lisboa, só e com imensas dificuldades financeiras.

https://www.infopedia.pt/$aristides-de-sousa-mendes