EB 2,3 Infante D. Fernando - Biblioteca

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23/01/2013

Liberdade- Poema de Fernando Pessoa


Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D.Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,

Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

13/06/2011

13 de Junho - Aniversários de Fernando Pessoa e Vieira da Silva

Dois génios, cada um em sua arte

Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 1888 - Lisboa, 1935) 
Poeta e escritor português
Considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa, e da Literatura Universal.
http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt/index.php?id=6433


Maria Helena Vieira da Silva (Lisboa, 1908 – Paris, 1992)
Pintora
Foi uma das mais importantes pintoras da segunda metade do século XX, não só em Portugal como no resto da europa. 
 Clica aqui, para saberes mais sobre a pintora.

Eis uma das suas magníficas telas.

"Biblioteca", 1949
(Óleo sobre tela, 114,5 x 147,5 cm, Museu Nacional de Arte Moderna - Centre Georges Pompidou, Paris, França)





Autopsicografia de Fernando Pessoa

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.


E assim nas calhas de roda
Gira a entreter a razão,
Esse comboio de corda
que se chama o coração.

( in Cancioneiro)