A correspondência do Desassossego e da Saudade - Exposição na BE



Durante a I Guerra Mundial, nos momentos de descanso, os soldados portugueses escreviam onde calhava: nas trincheiras, num celeiro ou num hospital. Escreviam com o que tinham à mão, sobre o joelho ou escrivaninhas improvisadas. Alguns viram-se forçados a aprender a ler. Todos tiveram a sua correspondência sob o olho da censura.



Estas cartas, entre militares  e os seus amigos e familiares testemunharam o desassossego dos entrincheirados que elegeram a troca de correspondência como um instrumento de evasão à realidade vivida e refletiram, então, um mundo privado de autores e destinatários que procurou sobreviver às contingências impostas pelo dia-a-dia de guerra e pelo poder estabelecido. 



A troca de correspondência no Corpo Expedicionário Português permitiu, na época, calar o desassossego e viver a saudade do quotidiano de paz num ténue equilíbrio para impedir a ruptura com o quotidiano de guerra e o consequente aniquilamento psicológico dos combatentes e possibilita, atualmente, dar voz e construir a memória dessa experiência singular.




A exposição, elaborada com cartas escritas pelos alunos das turmas D e E do 9º ano da EB 2,3 Infante D. Fernando, procura reproduzir as memórias destes tempos, dos afetos e das cumplicidades das palavras emocionadas, de troca de informações e de pedidos sinceros a um exterior que é chamado a intervir em auxílio dos que sofrem.


Atividade desenvolvida no âmbito da disciplina de História sob a coordenação da Professora Lurdes Moedas.





A exposição conta ainda com alguns interessantes artefactos usados na guerra, bem como fotografias de portugueses na frente de batalha e postais que retratam o espírito da época. Todos eles gentilmente emprestados pelos familiares do aluno Luís Parra. 

A fotografia emoldurada é de António dos Santos, nascido em Loulé, combatente em França na I Guerra Mundial, que aí esteve desaparecido por dois anos, dado até como morto perante os familiares. Aquando do seu regresso à pátria, partilhou com a família, que até hoje recorda, os  momentos de angústia que viveu e a fome por que passou. Marcado pelo sofrimento, tornou-se um homem reservado. O retrato foi emprestado pela neta, Conceição Bandarra, gesto que muito agradecemos.


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