23/12/2020
Clube de Ciclismo Amaro Antunes
O Presépio das nossas escolas
21/12/2020
Natal
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar.
Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.
Guitarras guitarras. Ou talvez mar.
E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.
No teu ritmo nos teus ritos.
No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).
Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.
No teu sol acontecia.
Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).
Todo o tempo num só tempo: andamento
de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva
acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva
na cidade agitada pelo vento.
Natal Natal (diziam). E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.
Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
E era na lava a rosa e a palavra.
Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia."
Manuel Alegre, in 'Antologia Poética'
Poemas de Natal
Maria Alberta Menéres
Presentinho de Natal
"Eu queria ter um cestinho cheio de flores
Para tecer um xaile de muita cor, muito lindo!
E um retalhinho do Céu
Para fazer um vestido azul tão lindo!
E mais sete estrelas das mais brilhantes
Para armar um chapeuzinho de luz!
E mais ainda dois quartinhos de lua
Que chegassem para uns sapatos de saltos muito altos...
E tudo isto, depois,
Eu dava a minha Mãe,
Neste dia de Natal:
O xailezinho de muita cor,
Os sapatinhos de saltos muito altos...
Minha Mãe! minha Mãe!
E hoje é dia de Natal
E só posso dizer:
Minha Mãe! minha Mãe!"
Matilde Rosa Araújo
O Natal da escola
"O Natal vai à escola
com roupas de fantasia;
num bolso leva os sonhos
e no outro a poesia.
O Natal pousa nos livros,
no quadro e nas carteiras
e deixa um pó de estrelas
no fundo das algibeiras.
E até o telemóvel,
que na aula não deve entrar,
quando toca de repente
é o Natal que vem lembrar.
O Natal entra na escola,
na mochila e nos cadernos
e segreda ao ouvido
os votos que são eternos.
O Natal é o recreio
que a campainha anuncia;
todos celebram contentes
O sentido desse dia."
(…)
José Jorge Letria em O Livro do Natal
Quando um Homem Quiser
numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
és meu irmão, amigo, és meu irmão
E tu que dormes só o pesadelo do ciúme
numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
e sofres o Natal da solidão sem um queixume
és meu irmão, amigo, és meu irmão
Natal é em Dezembro
mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
é quando um homem quiser
Natal é quando nasce
uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto
que há no ventre da mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
tu que inventas bonecas e comboios de luar
e mentes ao teu filho por não os poderes comprar
és meu irmão, amigo, és meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
és meu irmão, amigo, és meu irmão."
Ary dos Santos, in 'As Palavras das Cantigas'
Natal
"Fui ver ao dicionário dos sinónimos
A palavra mais bela, sem igual,
Perfeita como a nave dos Jerónimos
Perguntei aos poetas que releio
Gabriela, Régio, Göthe, Poe,
Quental, Lorca, Olegário...
E a resposta veio:
Christmas... Nöel... Natividade... NATAL.
Interroguei o firmamento todo
Cobra, formiga, pássaro, chacal!
aço em chispas, o pipe-line, o lodo!
E a voz das coisas respondeu: NATAL!
Pedi ao vento e trouxe-me dispersos
Riscos de luz, fragmentos de papel
Cânticos, sinos, lágrimas e versos
N, um A, um T, um A, um L...
Perguntei a mim próprio e fiquei
mudo
Qual a mais bela das palavras, qual?
Para que perguntar, se tudo, tudo,
Diz: NATAL, diz NATAL, diz NATAL!"
Adolfo Simões Müller
Chove. É dia de Natal.
"Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal.
E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.
Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.
Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés."
Fernando Pessoa
É Natal
Dia de Natal
Dia de Natal
"Hoje é dia de Natal
Mas o menino Jesus
"Nem sequer tem uma cama,
Dorme na palha onde o pus.
Recebi cinco brinquedos
Mais um casaco comprido.
Pobre menino Jesus,
Faz anos e está despido.
Comi bacalhau e bolos,
Peru, pinhões e pudim.
Só ele não comeu nada
Do que me deram a mim.
Os reis de longe trazem
Tesouros,incenso e mirra.
Se me dessem tais presentes,
Eu cá fazia uma birra.
Às escondidas de todos
Vou pegar-lhe pela mão
E sentá-lo no meu colo
Para ver televisão."
Luísa Ducla Soares
História antiga
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Albert Chevallier Tayler |
História antiga
"Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava, e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.
E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da Nação.
Mas,
Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças."
Miguel Torga
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18/12/2020
Mensagem especial
A aluna Rita Figueira, generosa e dinâmica colaboradora da biblioteca nos seus tempos livres, teve a iniciativa de produzir este pequeno vídeo maravilhoso para todos vós.
Só esperamos que vos inspire muito, muito!
Clica neste link: Feliz Natal com a nossa biblioteca escolar
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