28/03/2015
27/03/2015
Poema - José Luis Peixoto
A Casa
eu conhecia a distância entre as paredes. caminhei muitas
vezes pelo corredor. a sala: o sofá grande, a janela fechada
para a rua, o quadro bonito e antigo: a sala: estas palavras e
este verso podiam ser o corredor se as palavras fossem
a tinta nas paredes: a cozinha: a mãe a contar-me
histórias, a mesa, a água que lavava os talheres, o lume do
fogão. a cozinha era onde estávamos felizes.
quero que a casa fique desenhada:
quarto, escada , despensa, sala,
casa de banho, corredor corredor,
cozinha cozinha, escritório.
depois, subia as escadas:
despensa, quarto, quarto,
despensa, corredor, casa de banho,
despensa, escadas, quarto.
depois, descia as escadas.
eu, na cozinha, chamava a minha mãe. a minha voz: mãe.
a minha mãe respondia-me: estou aqui. e estava num dos
quartos de cima. eu subia as escadas para a encontrar.
de manhã, eu acordava e descia as escadas.
sem que eu soubesse, os anos passavam na casa. sem que eu
soubesse, a minha mãe e o meu pai envelheciam. a casa era
toda de claridade e eu não sabia que iria envelhecer assim que
saísse de casa.
havia janelas e havia portas. eu subia para cima de cadeiras
para abrir as janelas. da janela do meu quarto, via o mundo.
sei hoje que poderia ter vivido sem mais mundo do que esse.
sei hoje que transformei o mundo todo nessa casa. chamo a minha
mãe. está num dos quartos de cima. está muito longe. chamo o meu
pai. está muito longe.
José Luís Peixoto
A Casa, a Escuridão
Lisboa, Temas e Debates, 2002
eu conhecia a distância entre as paredes. caminhei muitas
vezes pelo corredor. a sala: o sofá grande, a janela fechada
para a rua, o quadro bonito e antigo: a sala: estas palavras e
este verso podiam ser o corredor se as palavras fossem
a tinta nas paredes: a cozinha: a mãe a contar-me
histórias, a mesa, a água que lavava os talheres, o lume do
fogão. a cozinha era onde estávamos felizes.
quero que a casa fique desenhada:
quarto, escada , despensa, sala,
casa de banho, corredor corredor,
cozinha cozinha, escritório.
depois, subia as escadas:
despensa, quarto, quarto,
despensa, corredor, casa de banho,
despensa, escadas, quarto.
depois, descia as escadas.
eu, na cozinha, chamava a minha mãe. a minha voz: mãe.
a minha mãe respondia-me: estou aqui. e estava num dos
quartos de cima. eu subia as escadas para a encontrar.
de manhã, eu acordava e descia as escadas.
sem que eu soubesse, os anos passavam na casa. sem que eu
soubesse, a minha mãe e o meu pai envelheciam. a casa era
toda de claridade e eu não sabia que iria envelhecer assim que
saísse de casa.
havia janelas e havia portas. eu subia para cima de cadeiras
para abrir as janelas. da janela do meu quarto, via o mundo.
sei hoje que poderia ter vivido sem mais mundo do que esse.
sei hoje que transformei o mundo todo nessa casa. chamo a minha
mãe. está num dos quartos de cima. está muito longe. chamo o meu
pai. está muito longe.
José Luís Peixoto
A Casa, a Escuridão
Lisboa, Temas e Debates, 2002
26/03/2015
José Luis Peixoto- Autor do Mês

Um dos mais celebrados e traduzidos escritores portugueses da sua geração.
A sua obra ficcional e poética figura em dezenas de antologias traduzidas num vasto número de idiomas e é estudada em diversas universidades nacionais e estrangeiras.
José Luís Peixoto nasceu a 4 de Setembro de 1974 em Galveias, Ponte de Sor (Portalegre).
É licenciado em Línguas e Literaturas Modernas (Inglês e Alemão) pela Universidade Nova de Lisboa. Foi, durante alguns anos, professor do ensino secundário.
A sua obra heterogénea inclui obras nos géneros romance, conto, poesia, literatura de viagem, literatura infantil e teatro.
Colabora regularmente em vários jornais e revistas.
Em 2006 a Câmara Municipal de Ponte de Sor instituiu o “Prémio Literário José Luís Peixoto”.
Um prémio atribuído anualmente, e que além de homenagear o escritor natural do concelho, pretende “incentivar a criatividade literária entre os jovens”.
É atribuído nos anos ímpares a contos, e a poesia, nos anos pares.
Podem concorrer todos os jovens até aos 25 anos.
O prazo para envio dos trabalhos termina a 30 de Abril.
consultar regulamento
Prémios
Jovens Criadores do Instituto Português da Juventude em 1997, 1998 e 2000;
Prémio José Saramago em 2001;
Prémio Daniel Faria em 2008;
Prémio Cálamo Otra Mirada em 2008;
Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores para o Melhor Livro de Poesia;
Prémio Libro d’ Europa em 2013.
Em Janeiro e Fevereiro de 2015, José Luís Peixoto participou em diversas actividades sobre a sua escrita e sobre a cultura portuguesa no Japão.

O autor com alunos da Universidade de Estudos Estrangeiros, e de uma escola de ensino básico em Tóquio.
Fonte: http://www.joseluispeixoto.net/
Voluntários da Leitura
As alunas do 5º ano, Fikrie, Bárbara e Lara, partilhando pequenos contos e o prazer de ler com os meninos do Jardim de Infância.
Um trabalho levado muito a sério, desde a escolha das histórias à preparação da atividade pós leitura, e com direito a vários ensaios.
24/03/2015
Desenhos do Mês
A arte de comunicar, sem palavras (ou quase nenhumas).
Parabéns a todos os que participaram na atividade.
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A Abril, aluna do 5º ano, brindou mais uma vez a biblioteca com esta maravilhosa pequena escultura. Um patusco bonequinho a ler regalado no seu belo jardim primaveril.
Um trabalho feito com restos de materiais que tinha lá por casa. Uma menina muito criativa que promete. Ai se promete!
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