Poema de Natal


«Ninguém sabe que forma tem,
se é magrinho ou anafado,
se tem perfume de sândalo
ou bigodinho aparado.
Ninguém sabe se é menino
ou se é um Pai Natal,
se tem voz doce e timbrada
ou um tom mais gutural.
Ninguém sabe bem o que é
esse espírito de que se fala,
se vem dentro de um trenó
ou no forro de uma mala.
Ninguém sabe se é brinquedo
ou objeto de valor,
se tem nome e morada
ou se é coisa de sonhador.
Ninguém sabe que cor tem,
se é vermelho ou amarelo,
se tem caracóis prateados
ou flores azuis no cabelo.
Só de uma coisa há certeza
e é rara e especial:
aquilo de que falamos
é o Espírito de Natal.
E esse Espírito do Natal
que trabalha sem horário
é doce, quente e fraterno,
amigo e solidário.»

José Jorge Letria in O livro de Natal

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