Autor do Mês - José Carlos Ary dos Santos

Poeta de personalidade entusiasta e irreverente

«E ei-lo poeta todo mãos abertas para apanhar tudo o que a vida dá»
Natália Correia

Poeta que contribuiu com os seus poemas para a Revolução do 25 de Abril, que abriu as Portas da Liberdade.

“…De palavras não sei. Apenas tento  
desvendar o seu lento movimento
quando passam ao longo do que invento
como pré-feitos blocos de cimento.
 
De palavras não sei. Apenas quero
retomar-lhes o peso a consistência
e com elas erguer a fogo e ferro
Um palácio de força e resistência…”

Ary dos Santos


Biografia
José Carlos Ary dos Santos (Lisboa, 7 de Dezembro de 1937 - 18 de Janeiro de 1984) foi um poeta e declamador português.

A sua obra literária inicia-se no mesmo ano em que a sua mãe morre, aos 14 anos, quando vê publicados, através de familiares, alguns dos seus poemas, considerados maus pelo autor. No entanto, Ary dos Santos revelaria verdadeiramente as suas qualidades poéticas em 1954, com dezasseis anos de idade. É nessa altura que vê os seus poemas serem seleccionados para a Antologia do Prémio Almeida Garrett.

É então que Ary dos Santos abandona a casa da família, exercendo as mais variadas actividades para seu sustento económico, que passariam desde a venda de máquinas para pastilhas até à publicidade. Contudo, paralelamente, o poeta não cessa jamais de escrever e em 1963 dar-se-ia a sua estreia efectiva com a publicação do livro de poemas A Liturgia do Sangue (1963).

Em 1969 inicia-se na actividade política,  participando de forma activa nas sessões de poesia do então intitulado "canto livre perseguido".

Gravou, ele próprio, textos ou poemas de e com muitos outros autores e intérpretes e ainda um duplo álbum contendo O Sermão de Santo António aos Peixes do Padre António Vieira.

Autor de mais de seiscentos poemas para canções, Ary dos Santos fez no meio muitos amigos. É neste campo, o da música, que o poeta se torna conhecido entre o grande público.
Não é à toa que Ary dos Santos é apelidado tantas vezes de “poeta do povo”. Na esteira da fase que precede ou sucede ao 25 de Abril, em que surgem os “poetas-cantores” (como José Afonso e Sérgio Godinho), «foi o mais popular autor de poesia para canto ou declamação a um grande público» (Lopes e Saraiva).


 


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